Timidez ou fobia social?
Em que momento uma característica de comportamento deixa de ser traço de personalidade e se torna uma patologia?
A timidez pode ser entendida como um traço de personalidade apresentado em algumas pessoas, com maior ou menor intensidade. No entanto, quando essa característica surge em alguém de forma excessiva, isso pode ser classificado como fobia social.
Para ser enquadrada como fóbica social, uma pessoa precisa apresentar os chamados componentes de esquiva, normalmente gerados quando ela é submetida à avaliação de outras pessoas. “O medo de fazer contatos interpessoais; o pânico de comparecer a uma festa, reunião ou evento; a aversão à ideia de uma viagem que o obrigue a relacionar-se com muita gente; e o temor incontrolável em estabelecer novas amizades são algumas das características de um fóbico social”, explica o psiquiatra Tito Paes de Barros, mestre em psiquiatria pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
Ao ser observada, é normal que essa pessoa sinta certo desconforto. Mas essa vergonha, ou embaraço, passa a ser considerada patológica a partir do momento em que ela sofre prejuízos pessoais por conta disso. “Por exemplo, quando uma pessoa pede demissão de uma empresa que exija dela a participação em conferências, a apresentação de relatórios e balanços em público, se esquivando de estar mais próxima a outros membros no trabalho. Isso difere a timidez da fobia social, já que o tímido, mesmo com certo desconforto e sem ter muita facilidade, não evita a qualquer custo manter contato com outras pessoas”, diz Barros.
Além do medo e do desconforto, a fobia social chega a provocar reações no organismo de quem sofre com o distúrbio, como taquicardia, falta de ar, ruborização, tensão muscular, tremores, sudorese, sensação de bolo na garganta e até diarreia, entre outras.
O fóbico social, muitas vezes, estabelece relacionamentos por conveniência. Ele sofre com inúmeros complexos e tem sérias dificuldades na vida amorosa. “Alguns estudos mostram que dificilmente eles moram com cônjuges ou namorados. Em geral, vivem sozinhos ou com os pais”, destaca o psiquiatra.
Fonte: Arca Universal
